Parada rápida para aperitivos. Salada de polvo, chouriço assado e queijo Nisa, tudo excelente. Pudim de sobremesa. Voltarei para experimentar mais do cardápio.
Greg Hunter
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19 Agosto 2026
8,0
O Toma Lá, Dá Cá foi durante muitos anos um restaurante que frequentei bastante e de que gostava genuinamente. Adorava aquele ambiente acolhedor, caótico e descontraído, tão típico de Lisboa, e sobretudo o facto de ser um restaurante muito frequentado por portugueses, mas também por estrangeiros. Os empregados e toda a equipa que trabalhava por trás da cozinha faziam daquele restaurante algo realmente especial.
Havia muitos clientes habituais portugueses, pessoas que voltavam regularmente e que faziam parte da própria identidade do restaurante. Era precisamente essa mistura, esse ambiente e essa clientela que lhe davam alma.
Há cerca de dois ou três anos, o restaurante mudou de mãos e, infelizmente, sinto que mudou também a sua identidade. Percebe-se que tentam manter alguns dos pratos e sabores que existiam anteriormente, mas falta qualquer coisa. Falta a alma que o restaurante tinha.
A comida é razoável e não posso dizer que seja má. Mas está longe de ser a comida tradicional fantástica de que me lembro de comer ali antigamente. Parece-me que existe uma tentativa de reproduzir aquilo que era feito antes, mas a diferença sente-se, até na simples forma como a comida é servida.
São precisamente estes pequenos detalhes que fazem a diferença. Por exemplo, o arroz que acompanhava o prato era um arroz de grão longo, daqueles que associamos mais facilmente à cozinha indiana ou asiática. Não é o tipo de arroz que tradicionalmente esperamos encontrar em muitos pratos da cozinha portuguesa. Pode parecer um pormenor insignificante, mas para quem conhece e está habituado à nossa gastronomia, estes detalhes fazem toda a diferença.
Também noto uma mudança na própria equipa da cozinha. Não sei até que ponto isso explica todas estas diferenças, mas acredito que quem confeciona uma determinada cozinha, com experiência e conhecimento da sua tradição, faz uma enorme diferença no resultado final. A comida tradicional não é apenas uma receita: são os produtos, as técnicas, os sabores, os pequenos gestos e a forma de preparar e servir que se aprendem com o tempo. Quando toda uma equipa muda, é natural que essa identidade também se possa perder.
Também senti uma mudança enorme na clientela. Num sábado à noite, contei apenas uma mesa com dois portugueses. O resto era essencialmente composto por turistas. É verdade que estamos em agosto e muitos lisboetas saem da cidade nesta altura, mas, mesmo assim, a diferença em relação ao restaurante que conheci no passado é bastante evidente.
É uma pena. O Toma Lá, Dá Cá tinha uma identidade muito própria e era precisamente essa autenticidade, aquela mistura de gente, o ambiente, os empregados e a comida tradicional que me fazia voltar.
Aos turistas que procuram conhecer a verdadeira gastronomia portuguesa, deixaria apenas uma sugestão: procurem também avaliações escritas por portugueses ou por pessoas que vivem em Lisboa. Quem visita a cidade pela primeira vez pode naturalmente gostar de uma experiência, mas não tem necessariamente como comparar aquilo que está a comer com a verdadeira comida tradicional portuguesa ou com aquilo que estes restaurantes já foram.
Uma boa avaliação de um restaurante tradicional não deve ser apenas sobre se “gostei” ou se “a comida estava boa”, mas também sobre se aquilo que é servido corresponde realmente à tradição e à identidade gastronómica do lugar.
Hoje, infelizmente, é um restaurante OK, mas já não é o restaurante que eu adorava. E é isso que mais me custa: não ter simplesmente perdido um restaurante de que gostava, mas sentir que se perdeu uma parte da alma que fazia daquele lugar um restaurante tão especial.
Rodrigo
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10 Agosto 2026
6,0