22/02/2026: Estói tem um novo motivo para parar: o segredo bem guardado da cozinha algarvia com alma
Escondido nas ruelas tranquilas de Estói, longe do bulício da costa, existe um restaurante que não precisa de vistas para o mar nem de Instagram impecável para conquistar. Basta a comida. E que comida. Vamos chamar-lhe, por agora e sem revelar o nome exato (porque os melhores sítios ainda se descobrem pela boca do povo), “A Casa do Sabor Antigo” — ou algo muito próximo disso.
Começamos com a mista de carne, que chega à mesa a fumegar e com um aroma que faz toda a sala virar a cabeça. Costeleta de novilho, lombo de porco preto, chouriço caseiro e uma linguiça de porco ibérico que derrete na boca. Tudo grelhado no ponto exato, com aquela crosta dourada que só o carvão verdadeiro consegue dar, acompanhado de batatas rústicas e um molhinho de piri-piri caseiro que pica na medida certa. É generosa, é rústica, é daquelas que faz você pedir para embrulhar o que sobrar — e olhe que raramente sobra.
Mas o verdadeiro momento “uau” da tarde foi o javali estufado. Não é o típico javali seco e agressivo que se encontra noutros sítios. Aqui o molho é sedoso, profundo, com notas de vinho tinto, louro, cravinho e um toque sutil de castanha que arredonda tudo. A carne desfaz-se ao garfo, tenra, suculenta, sem qualquer vestígio de selvajaria desagradável. Acompanha com uns migas de broa que absorvem o molho como se tivessem nascido para isso. Quem gosta de caça sai dali a sonhar com a próxima visita.
Do lado do mar, o arroz de polvo não desilude. O polvo está cozinhado no ponto ideal — nem borracha, nem desfeito —, com o arroz malandrinho, carregado de tomate, coentros frescos e aquele sabor profundo de quem sabe deixar o molho apurar devagar. Cada garfada tem pedaços generosos de polvo e um caldo que pede pão para limpar o prato até ao fim. Clássico algarvio executado com respeito e mão certeira.
E porque o peixe não podia faltar, provámos o peixe assado (no dia era robalo de linha, mas o chef trabalha consoante a frescura do mercado). Assado na brasa com sal grosso, a pele estaladiça, a carne branca e suculenta, regado apenas com um fio de azeite virgem e limão.
Acompanhamento simples: batatinhas cozidas com casca e salpicadas de orégãos secos. Não precisa de mais. Quando o produto é bom, menos é mais — e aqui percebe-se isso muito bem.
A sobremesa? Um pudim de ovos com calda de caramelo que fecha a refeição com doçura caseira, sem excessos. A garrafeira não é extensa, mas tem opções algarvias e alentejanas honestas a copo, a preços que não castigam.
O serviço é familiar, sem afetamentos, mas com genuína vontade de agradar. A sala é simples, acolhedora, com aquela toalha de xadrez que já quase desapareceu dos restaurantes modernos — e faz falta.
Preço médio por pessoa (com entrada, prato principal, bebida e sobremesa): cerca de 28–35€. Qualidade/preço: excelente.
Em Estói, entre palácios cor-de-rosa e quintas silenciosas, há quem ainda cozinhe como se a avó estivesse a mandar na cozinha. E é exatamente isso que torna este lugar especial. Se anda à procura de uma refeição sem pose, mas cheia de sabor verdadeiro, anote o caminho. Vale cada quilómetro.
Volto em breve. Com mais apetite ainda.
22/02/2026: Local com uma atmosfera muito agradável, com pratos variados ,desde javali, peixe grelhado, arroz polvo ....
Fiquei muito agradado com o espaço.