O Curral dos Caprinos foi uma agradável surpresa. Há muito que ouvia bem-falar desta casa, mas superou todas as expectativas.
A sala tem um ambiente castiço e o atendimento é impecável: profissional e atencioso.
Do Couvert, ficámos apenas pelas azeitonas - em si óptimas -, mas tudo o que estava na mesa tinha uma boa apresentação.
Pedimos os cogumelos com molho de natas para entrada. Simplesmente divinal, ainda que o valor seja algo elevado para um prato que não deixam de ser cogumelos com molho.
De pratos principais pedimos bife, secretos e lulas. Tudo confecionado na perfeição, as carnes tenras, acompanhamentos óptimos desde as batatas, arroz e migas. A sangria de espumante com frutos vermelhos e a mousse de chocolate na sobremesa foram uma boa companhia nesta refeição.
É um lugar que merece sem margem para dúvidas 5 estrelas. Apesar de não ter um preço acessível, a qualidade não falta no serviço.
Inês Portugal
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25 Janeiro 2026
10,0
A gastronomia é, antes de tudo, cultura, expressão e arte de um povo. Vive das tradições culinárias que atravessam todas as camadas sociais e transforma-se num grande caldeirão cultural onde convivem, lado a lado, os ingredientes mais simples, como a farinha de milho e os mais nobres, como a lagosta.
A riqueza e a diversidade da gastronomia portuguesa são amplamente reconhecidas e, nos últimos tempos, têm sido justamente celebradas pela sua qualidade e autenticidade.
É neste contexto que surge o restaurante Curral dos Cabrinos, em Cabriz, onde encontrámos uma cozinha de eleição, firmemente enraizada na tradição. A casa está entregue a António Pacheco, aos filhos e ao neto: o primeiro como anfitrião e gestor, os segundos assegurando, com eficiência e dedicação, o funcionamento exemplar do restaurante. Hoje, o Curral dos Cabrinos é uma referência incontornável da culinária regional, especialmente pelas suas afamadas especialidades de cabrito, tornando-se paragem obrigatória para quem visita a região.
António Pacheco constrói a sua cozinha sobre os pilares da gastronomia portuguesa, valorizando ingredientes locais e respeitando a identidade dos sabores. Pai, filhos e neto assumem-se, cada um à sua maneira, como guardiões de uma gastronomia genuína.
“O que pretendemos é mostrar como é possível fazer pratos de gastronomia regional, com apresentação impecável, usando os ingredientes da terra, que todos aqui conhecem tão bem. É uma maravilha ver o que somos capazes de fazer com os nossos produtos, para satisfação do cliente”, afirma António Pacheco.
O cardápio revela uma variedade impressionante, convidando o visitante a uma verdadeira viagem pela cozinha tradicional. A escolha torna-se difícil para quem aprecia iguarias e procura sabores distintos.
Iniciámos a refeição com uns saborosos "pastelinhos salgados". Seguiu-se o célebre cabrito assado no forno, que se apresentou absolutamente irrepreensível. Acompanhavam-no batatas assadas e um aromático arroz de açafrão com os respetivos miúdos, ambos no ponto, ambos a elevar o prato a um patamar superior. Um conjunto harmonioso, vibrante, onde cada elemento cumpria exemplarmente o seu papel. Sem hesitação, afirmamos: foi um dos melhores cabritos assados que tivemos o privilégio de degustar. Os nossos parabéns ao António Pacheco e à sua dedicada equipa.
A sobremesa manteve o nível de excelência: o “pijaminha”, recomendado pelo neto, revelou-se uma escolha divina, literalmente de “comer e chorar por mais”.
A harmonização vínica esteve igualmente à altura, com um Quinta Da Pacheca, Reserva, Vinhas Velhas Tinto 2022, com boa intensidade aromática, muito complexa, com elegantes notas de chocolate e frutas pretas, como mirtilo e amora, na boca é muito equilibrado, com taninos presentes e madeira bem integrada, final longo e persistente.
A experiência ganhou ainda mais brilho pela companhia ilustre do Presidente do Conselho Europeu de Confrarias, Carlos Martin Cosme, e respetiva esposa, bem como do Presidente da Confraria do Arinto de Bucelas, Alcindo de Almeida, também acompanhado da esposa. A sua presença contribuiu para uma refeição verdadeiramente digna dos deuses.
A simpatia generosa do “patrão” António Pacheco, dos filhos Sérgio e Ricardo, e do neto, cujo nome lamentavelmente não recordamos, completou uma experiência memorável.
Gostámos. Recomendamos vivamente!
José Manuel Alves
Vice-Presidente CEUCO-Conselho Europeu de Confrarias
Grão-Mestre da Confraria dos Gastrónomos de Lisboa
CEUCO Conselho Europeu Confrarias
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18 Janeiro 2026
10,0