05/10/2026: Salas com muita comida e o arroz de miúdos é fenomenal.
23/09/2026: Sou o Henrique e tinha fome.
Estava a atravessar a estância termal de Curia com a minha Catarina Parra, quando o meu portentoso relógio gástrico deu as horas. Apercebi-me, assim, que não seria possível chegar ao nosso destino sem preencher o vazio que se havia formado. Surgiu, felizmente, uma opção no horizonte: uma antiga estação de mala-posta, agora convertida num venerável palácio de frango grelhado. A promessa de um bom momento, portanto.
Esta promessa, porém, não veio sem os seus contratempos. Primeiramente, há que salientar a ausência de atenção à minha digníssima pessoa. Ignorado! E, pior: ignorado com fome! Atribuo parte deste triste lapso ao cansaço dos serviçais, que me fizeram lembrar o meu falecido tio, que sofria do coração, e que suava sempre que subia umas escadas.
Depois, a refeição. O suposto ponto alto desta visita. Na verdade, um atentado à minha figura! Às minhas necessidades! Como hei eu de manter o meu título se, para mim, me alocaram uns meros quatro pedaços de frango? Pensei talvez ter havido um lapso. Porventura, os serviçais tinham apanhado um tordo, dado o meu amor pelas carnes de caça? Mas não. Asseguraram-me, à saída, que tinha comido um frango. Um frango inteiro! Pior ainda, foi a minha Catarina ter sido privada das suas perninhas, as quais tanto adora, de entre estes míseros quatro pedaços. Injúria!
É preciso, no entanto, aplaudir a qualidade desta crocante amostra galiforme, assim como o fantástico vinho local, o qual apaziguou algumas destas mágoas. Mas, se for esta a experiência habitual neste belíssimo edifício, então humedecem-me os olhos ao pensar na fome que os seus visitantes sofrem, antes de voltarem aos perigos da estrada. É o meu decreto ao Condestável Pompeu que esta casa passe a incluir mais Frango, dado que está no seu nome. Voltarei quando este for o caso.