Fomos festejar um aniversário e fizemos reserva de mesa. Pedimos arroz de sarrabulho que estava excelente mais um prego no prato para o miúdo. A dose de sarrabulho serve bem 4 pessoas e a meia não deixa nada atrás para duas pessoas. Bebemos um vinho verde bem fresco, que complementou a refeição de uma maneira excepcional. Sobremesas optamos pelo bolo de bolacha servido com uma pequena bola de gelado e molho de chocolate, tudo na proporção certa. Não era muito doce, aliás foi o menos doce que comi, mas de certeza está entre os melhores que já comi: suave e elegante. A esposa escolheu mousse de chocolate que mantinha o mesmo registo: não era doce em demasia, suave no paladar e com uma consistência encantadora. De entradas comemos umas mini iscas de bacalhau, deliciosas e bem sequinhas, e um patê de atum com tostas igualmente delicioso.
Os empregados são extremamente atenciosos, simpáticos e muito diligentes, não há nada a dizer de negativo sobre eles. Sobre a atmosfera, excelente também, é o local perfeito para poder conversar enquanto boa comida é servida. Não é barulhento e nem damos conta do tempo da refeição passar. Fiquei cliente, e apesar de uma hora de autoestrada me separar deste magnífico lugar, é certo que voltarei. Levo na lembrança uma travessa de bacalhau que vi passar e a minha esposa a picanha ;)
Em relação ao preço pago por pessoa, é mais do que justo para a qualidade da comida e do serviço.
Rui Pereira
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18 Maio 2026
10,0
Fomos ao Restaurante Fátima Amorim para a minha primeira visita do ano (já os meus parceiros jubilados, com a agenda mais folgada, são fregueses de nota alta). O Miguel, anfitrião de uma cortesia irrepreensível, instalou-nos na habitual mesa redonda. O parque de estacionamento estava estranhamente disponível, mas a hospitalidade na sala, ampla e luminosa, mantinha-se cheia.
No couvert, fomos recebidos com pataniscas quentes e fatias de broa de milho fritas em azeite — amarelas, estaladiças e capazes de converter qualquer pecador. O vinho da casa, o "maduro" (termo essencial por aqui para o distinguir do verde que corre nas veias da terra), veio à temperatura ambiente. Ora, com o termómetro nos 25 graus, o tinto estava a pedir um refresco, mas nada que ensombrasse o banquete.
O bacalhau é um dos ex-libris da casa, com a mão certeira da mãe do Miguel — a própria Fatinha — ao comando do fogão. A logística do bicho é ciência pura: o Miguel explicou-nos que o fornecedor é o mesmo há 30 anos e que o bacalhau é demolhado na cave, com controlo rigoroso de temperatura e salinidade durante uma semana. O resultado? Bacalhau "de livro".
Bacalhau à Fatinha: Uma dose rica, com queijo, fiambre e puré.
Bacalhau de Cebolada: Acompanhado por batatas fritas às rodelas grossas e caneladas, macias e cheias de sabor.
Embora eu tenha uma queda pelas pontas finas, os centros das postas eram de uma opulência tal que uma dose para dois alimentaria um batalhão. Aliás, a generosidade é tanta que a tradição se cumpriu: sobrou para o jantar, o que ajuda a equilibrar os preços, que à primeira vista parecem "puxadotes", mas que se revelam justos perante tamanha fartura.
Terminámos com a torta de laranja de fabrico próprio, servida com gelado de baunilha — uma combinação que mereceu vénias da mesa.
Saímos com a sensação de dever cumprido. A carta do Fátima Amorim pode ser curta, mas a execução é de um rigor militar e de qualidade superior. É um serviço atento e familiar que nos faz sentir em casa.
Voltamos sempre. Pela comida, pelo Miguel e, acima de tudo, pela garantia de que, em Ponte de Lima, a Páscoa ainda sabe ao que deve saber.
Eduardo Cabral
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03 Abril 2026
10,0