Uma experiência a repetir, sem dúvida. A comida e vinhos são ótimos, e o atendimento foi muito atencioso e simpático. O espaço também é agradável, o que torna a experiência ainda melhor. Recomendo!
Pedro Torres
.
17 Janeiro 2026
10,0
O Vítor & o Oráculo Faminto.
Hoje viemos provar o melhor bacalhau do Norte, fica na Póvoa de Lanhoso, numa casa de pedra, onde o estacionamento é uma roleta russa. O dono é o Sr. Vítor, uma personagem que cultivou uma reputação mil vezes ovacionada: "o melhor bacalhau do Norte", não é com palmas, mas com pratos vazios.
Paramos no trajeto, não para apreciar a natureza verdejante tipicamente minhota, mas para a saúde da praxe, um Favaios, what else.. Qual é a graça se não regamos primeiro a alma antes de pecarmos á mesa?
À chegada apreciamos a paisagem do alto da povoação, subimos a escadaria de pedra até à igreja, alcançar o Olimpo não custaria menos, foi um retiro espiritual. No largo divisamos toda a povoação, as casas esculpidas a granito cortado à mão, campos ornamentados com vinha em redor, vacas a pastarem, um verde que encanta.
Apesar ambiente religioso o Oráculo não resistiu à tentação, ao descer a escadaria começou a chorar como se tivesse visto o preço da gasolina, a carne é fraca!! e os cítricos foram caminhando para os seus bolsos.
À porta somos recebidos pelo Sr. Vítor bem disposto, humor inglês, na voz transparece humildade "nunca contraí dívidas que não pudesse pagar, sempre seguiu a filosofia realista".
Fundou a casa em 1971 como restaurante, onde antes apenas vendiam bacalhau, hoje é o feiticeiro de Oz do bacalhau.
Para entradas, salpicão e chouriço assado. Tantas eram as mãos em redor que me senti a reviver a última ceia, num ápice apenas restaram os pratos vazios. Olho de soslaio para o Oráculo Verde, a sua expressão de satisfação faz-me sentir realizado por ter organizado esta jornada gastronómica, por outro lado entendo a sua necessidade de compensar a sua crescente incapacidade divinatória com a comida ou talvez esteja angustiado com o derbie e as suas debilidades divinatórias, haja bacalhau, Porto forever!
Avidamente, com uma expressão de deleite -- como quem pensa "já ganhei o céu" garfada a garfada, ele vai transformando o prato num deserto árido. Apenas lhe escuto numa voz sumida " - deste já não há mais...muito bom....muito bom, nunca fui tão bem alimentado...ó desdita ó inclemência.
Regresso a casa com o dever cumprido, estômago cheio, e o cartão mais vazio! Mas confesso que o preço pago pelo Olimpo do "Fiel Amigo" foi barato.
Nuno Cabral
.
04 Dezembro 2025
10,0