Onde a Posta à Mirandesa Encontra a Amizade
Há prazeres na vida que não se explicam, saboreiam-se, são momentos de partilha, convívio, de coração aberto, que não pedem licença.
Nesta vida poucos são tão genuínos como o ritual de nos sentarmos à volta de uma mesa, rodeados por quem nos conhece de longa data, e quando partilhados com aqueles cujos pensamentos, palavras e ações estão em harmonia se tornam inolvidáveis. Citando Fernando Pessoa "a amizade é uma alma com dois corpos" e não há melhor ponte que uma Posta.
Hoje foi no Café Rio de Janeiro, e o pretexto (como se fosse preciso um!) foi uma das maiores glórias da nossa gastronomia: a Posta à Mirandesa. Há quem diga que "não há amor mais sincero que o amor pela comida" olho em redor, vejo o café cheio, o amor está no ar!
O Culto do Sabor
Falar de uma Posta à Mirandesa é falar de respeito: pelo produto, tradição, gula. Só peço a Deus mais tempo.
Quando o prato chega à mesa, ficamos estáticos, o silêncio desce, o aroma inebria. A carne revela: corte alto, generoso, mal passada, ligeiramente tostada por fora, escondendo toda a sua suculência e cor rosada. Ainda não tinha cravado o garfo na posta e metade já se tinha esfumado da travessa! Cuidado com quem partilhamos este manjar, a carne é fraca.
A apresentação ganha um toque de frescura com as fatias de laranja — o seu sumo cítrico corta o sabor intenso da gordura da carne, equilibrando. Como acompanhamento, what else, batatas fritas douradas, estaladiças por fora e macias por dentro. Por último não podia faltar vinho, Porca de Murça o tal especial.
O Tempero Secreto: A Amizade
Mas, por melhor que seja a comida, falta-lhe sempre "sal" se não houver companhia.O vídeo capta exatamente isto: o brilho nos olhos de quem partilha uma piada, o brinde com um bom vinho tinto que aquece o peito e o gesto de aprovação (aquele polegar levantado!) que vale mais do que mil críticas gastronómicas.
No Café Rio de Janeiro, o ambiente convida à demora, cada gesto, garfada, torna o tempo em mais uma recordação. Não é apenas uma refeição; é um momento de pausa no frenesim do dia a dia para celebrar o que realmente importa. É ver os amigos de sempre, rir das histórias de sempre e criar novas memórias que, tal como o sabor daquela carne grelhada, irão permanecer connosco por muito tempo.
Celebrar o Essencial
Num mundo onde impera o imediatismo, narcisismo, momentos como este lembram-nos de que a felicidade é simples. É feita de pão fresco (um não resistiu), vinho partilhado, uma posta no ponto e o calor humano de uma mesa cheia. Se a comida alimenta o corpo, a amizade alimenta a alma. E quando as duas se juntam no mesmo prato, temos o banquete perfeito.
Como diria Hemingway: "a vida é uma festa: só falta quem a saiba celebrar". Hoje foi celebrada à Mirandesa, com: carne, vinho e amigos.
Nuno Cabral
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26 Fevereiro 2026
8,0